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riscos_e_rabiscos

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Perguntas Difíceis de Crianças.

 

De manhã fui com a minha B. ao café: eu fui beber um café e ela o seu palmier simples, com faca e garfo (é muito fina!).

 

Quando fomos pagar, estava ao balcão o transsexual que mora aqui na zona com o seu animal de estimação. A B. ficou encantada! Lá foi ao pé do bichinho para lhe fazer muitas festinhas, que ele adorou.

 

Quando viémos para casa, a B. vinha encantada com a meiguice e pequenez do bichinho de estimação. Às tantas, a meio do caminho, faz-me a seguinte observação:

 

- Ó prima aquela mulher parece um homem...

 

Só pensei com os meus botões "e agora como descalço a bota?", numa fracção de segundos. Como é que uma criança de 8 anos consegue perceber o que leva alguém a mudar de sexo, as motivações, as transformações, os porquês. Será que tem maturidade para entender? Para a B. é uma mulher pois tem mamas mas também se nota que tem barba e de bonita ou elegante, não tem nada. Concerteza é boa pessoa, com um bom coração mas que não não pertencia ao corpo anterior.

 

Achei que teria de lhe dar uma explicação pouco lógica mas que fizesse algum sentido na sua cabeça. Não poderia entrar em grandes explicações acerca do assunto, muito menos ali no meio da rua. Acabei por lhe responder:

 

- Sabes B., há mulheres que são muito feias e depois parecem homens...

 

Esta afirmação é bem verdadeira e ao contrário também acontece. E há transsexuais e travestis que são mais bonitos do muitas mulheres.

Há coisas complicadas de explicar às crianças e esta quetão da sexualidade/transsexualidade é uma delas.

Rescaldo do dia.

Eu até queria escrever qualquer coisinha mas estou tão, mas tão cansada!
Ora reparem só:
uma mini-miúda acorda-me aos saltos na minha cama, senta-se em cima dos meus cabelos e fala sem parar (looool);
- uma mini-miúda de 5 em 5 minutos a perguntar "quando é que me pintas as unhas?" alternando com "posso mudar de canal"?;
uma mini-miúda armada em tia B. (a minha mãe) com uma bata de andar por casa e os sapatos da minha mãe, corre tudo à vassourada porque ela anda a varrer;
uma mini-miúda sempre feita doida a meter-se com o Bóbi e ele a adorar. São saltos, correrias e risotas até mais não!;
uma mini-miúda que se escangalha a rir porque o meu pai desata a fazer palhaçadas para a pôr doida;
uma mini-miúda mais esperta que sei lá o quê sempre com as suas perguntas e observações que às vezes é de cairmos para o lado a rir.

Eu bem quero impôr "respeito" (:P) mas é tarefa difícil porque dá-me vontade de rir! Maria Cachucha de uma figa! :P

São estas coisas que me cortam o coração.

Sábado foi o dia da festa da escola, como tinha já dito. Correu tudo muito bem, os miúdos portaram-se lindamente e os pais (ao que parece) gostaram muito. Pra nós, que estamos por detrás deste trabalho todo, hoje foi um dia menos cansativo.

 

Já no fim da festa, uma das minhas alunas veio abraçar-se a mim. Nada de extraordinário até porque é costume os meus alunos virem abraçar-te e dar-me beijinhos e retribuir e vice-versa. Mas senti aquele abraço diferente. Perguntei à miúda se ela estava bem. Ela respondeu-me:

 

- Sabes, teacher, para o ano já não vou lá para a escola. - Confidenciou-me a olhar para o chão com um semblate muito triste.

 

Caiu-me tudo ao chão, apertou-se-me o coração e foi com a mesma intensidade deste aperto que enlacei a miúda nos meus braços e lhe dei muitos beijinhos.

 

- Mas isso é mesmo verdade? Tens a certeza? - Perguntei eu com um fiozinho ténue de esperança de que isto não fosse realmente verdade.

 

- Sim, vou para uma escola pública.

 

- Vais? Para aquela perto da nossa escola?

 

- Sim, essa. Sabes, é que a minha mãe não pode sustentar o pagamento desta escola. - E foi aqui que tive todas as certezas. Que compreendi o dilema e a tristeza da miúda, que compreendi o problema dos pais em aguentar uma despesa enorme da escola dos dois filhos - dela e do irmão que também lá está - e o provável desagrado dem os tirar de lá. Afinal este tinha sido o primeiro de frequência da minha escola. Depreendo que se o país não estivesse como está, o futuro dos miúdos seria bem diferente.

 

Voltei a abraçá-la e a dar-lhe mais beijinhos e disse-lhe o quanto gostava dela. Pedi-lhe para ela não ficar triste e, em jeito de consolo, disse-lhe que ela depois ia visitar-nos à escola como tantos outros colegas, que já de lá saíram, fazem. Não queria que a miúda se sentisse desanimada.

 

À noite houve arraial na escola e eu fui dar uma ajuda. Depois de todos comerem, beberem e dançarem, chegou a hora da despedida. Estava eu à conversa com duas colegas minhas quando outra me veio dizer que tinha uma aluna que queria falar comigo.

 

Era novamente a tal aluna. Vinha despedir-se de mim pela última vez. Novamente cabisbaixa, voz sumida. Voltei a abracá-la e a dar-lhe muitos beijinhos e nem a parede que nos separava se fez sentir. Disse-lhe que gostava muito dela mesmo que Às vezes me tivesse zangado com ela e que seria para sempre sua amiga. Dei-lhe o último beijo e abraço apertado. virámos costas uma à outra, eu com lágrimas a correr pela face e aposto que a miúda também.

 

E são estas coisas que me cortam o coração...

A Idade Da Inocência.

 

Nesta quinzena, no colégio, tenho comigo uma menina pequenina, a P., que é muito fofa e engraçada. Como é a mais pequenina e não tem nenhum amiguinho da sala, anda a brincar sozinha porque os outros são maiores do que ela. então ando sempre a chamá-la para junto de mim, quanto mais não seja para lhe dar miminhos.

 

Hoje, estava eu e a D. T. de volta dela na brincadeira e a fazer-lhe perguntas, aquelas típicas que se fazem aos bebés. Ela muito séria e compenetrada olhava para mim e respondia. Até que eu faço aquela pergunta clássica...

 

Eu: Quantos aninhos tens P.?

P.: Dois...

E estica os dedinhos e mostra-nos a mão:

 

Sim, foi isto mesmo! Eu e a D. T. desatámo-nos a rir. Com a malícia em mente e julgando que até teriam sido os pais a ensinar a criança a fazer tal gracinha, perguntei...
Eu: P. quem ensinou a fazer os dois aninhos? Foi o pai? (Sim porque na generalidade os pais é que acham muita piada a estas coisas...)
P.: Não...
Eu: Foi a mãe?
P.: Não...
Eu: Então quem foi?
P.: Fui eu...
Humpf! Bom, é da maneira que vai fazendo ginástica aos dedos pois não tem ideia o que aquilo significa. O pior é se tivesse um aninho e se mostrasse a idade com o dedo do meio... {#emotions_dlg.tongue}

B. De... Brincadeira.

Esta semana tenho cá a minha B. em casa. Digamos que está a passar as férias da Páscoa connosco (como se ela morasse num canto do país muito afastado!). Que está a recuperar do trauma de ter ficado a semana passada com a avó. Que está a receber as mimocas todas que merece.

 

Está cada vez mais traquinas, rabina e mandona. Está a começar a levantar gadelhinha. É pequenina como a sardinha mas é uma "tubaroa" porque ela sabe o que quer!

 

Chega aqui a casa e o Bóbi é logo dela. Até diz "anda cá à dona!" e dá orientações acerca do comportamento que o bicho deve ter.

Ontem fartei-me de rir com a B. . Aqui por casa existem muitas coisas dela para brincar e uma delas é uma corda para saltar. Ela encontrou-a, após um grande interregno, e andou aos saltos com a corda até eu ser laçada como uma vaca ou um touro. Humpf! Depois disto, abandonou a sua corda. E virou-se para outros interesses maiores.

 

Mais tarde, foi fazer uns trabalhitos da escola e assim que os terminou, viu que a tal corda estava no chão junto do Bóbi. Virou-se para o cão e disse "ó Bóbi, podes dar-me a corda?". Desatei-me a rir! Quer dizer, dar o Bóbi dava, garanto é que era em fanicos!

 

Anda super endiabrada. Decidiu que a minha mãe era um banco de trampolim e vá de se apoiar nela para dar um salto para o outro lado da cama, onde a minha mãe via a sua novela descansada. Ou não...

 

De manhã, tem sido a minha companheira de pequeno-almoço no café. Hoje fui eu beber o meu (des)cafézinho matinal com ela atrelada a mim. Assim que lá chegámos, olhou para a vitrine dos bolos e disse-me "tenho fome no estômago". Pronto, percebi logo que ela queria um palmier simples, o bolo preferido dela. Marfou-o em três tempos com um garfinho, toda gulosinha.

 

Depois encarnou o papel de aluna e desatou a perguntar "teacher, como é que se diz isto? E aquilo? E o outro?". E mexe e remexe nos meus manuais de inglês, folheia-os de ponta a ponta e finge perceber muito daquilo. e ainda me diz que matéria é aquela... Hahaha!

 

Vamos lá ver quais são as aventuras que me esperam amanhã protagonizadas pela menina rabina!

 

Da História Infantil Para A Realidade

 


Este fim-de-semana foi de festa para mim: a minha afilhada fez 4 aninhos. Os pais decidiram alugar um espaço (quase de graça) em vez de fazer a festa em casa. Apesar dos tempos de crise, uma criança merece sempre uma festinha de anos e como compareceram muitos coleguinhas do infantário, até foi melhor assim. Pelo menos poupou-se uma valente arrumação e limpeza à casa, crianças a correr e a esbarrar nos móveis e algumas possíveis queixas de vizinhos.

 

A criançada andava doida. Podiam andar de escorrega e baloiço, correr livremente e havia ainda pintura facial e balões. As miúdas estavam o máximo com borboletas pintadas na cara, os rapazitos é que não estavam nada de especial, exceptuando um bebé que estava um gatinho delicioso.

 

Chegada a hora de partir o bolo, miudagem toda teve vontade de ir verter águas. Gerou-se uma confusão de entra e sai da casa de banho que nem vos digo nada. E o pior é que a criança que está dentro de mim - talvez influenciada pelas outras – teve uma vontade daquelas de lá ir também…

 

Mal chego à casa de banho, notei que ela era muito estranha, com portas minúsculas que nos davam quase à cintura. Pensei que aquela devia ser uma casa de banho de criança, uma vez que outrora aquelas instalações tinham sido uma escola primária.

 

Desloquei-me até à recepção onde eu tinha visto uma cabeça cabisbaixa, à qual era impossível associar um género sexual. Perguntei delicadamente onde era a casa de banho das senhoras. Uma cabeça ergue-se atrás do balcão e… eu ia tendo duas coisinhas más!!!

Vejo uma cara estranhíssima: três cabelos de rato todos oleosos a cobrir a cabeça, um par de olhos pequenos tipo azeitona, uma boca de meter medo que, depois de aberta, mostrava três ou quatro dentes tão espaçados que dava para passar por lá um garfo repleto de comida, sem ter que mexer mais nada a não ser arreganhar as beiças um pouco. Para completar o quadro, havia ainda uma corcunda.

 

Balbucia uma resposta que eu entendi ser que só existia aquela a única casa de banho (pelo menos de acesso permitido).

Resignei-me e lá entrei eu na dita cuja. Senti-me sei lá o quê pois não havia privacidade nenhuma. O pior mesmo é que uma pessoa sentava-se e se alguém entrasse, nem nos via. Enquanto lá estive, tive três visitas inesperadas!

   

Cortou-se o bolo, transformaram-se os balões em espadas, flores e cãezinhos, quando um miúdo me pediu água. Vi que os chãos das casas de banho tinha, sido lavados e nem me atrevi a meter lá os pezinhos. Fomos à cozinha. Tive mais um encontro com a corcunda de notre dame. Perguntei se podia dar água ao miúdo. Respondeu-me com um grunhido e muita má vontade, que eu ignorei. Abri a torneira e (deve ter sido praga dela) apanhei um banho descomunal. Mas dei água ao puto!

 

Jamais na minha vida esperei encontrar uma personagem de uma história infantil numa festa de aniversário. Ainda por cima o tema da festa da minha afilhada era a Hello Kitty. Tem tudo a ver, né?!

 

Particularidades de um Mundo Aparte

                     

Que o meu colégio é composto por crianças de uma classe económica alta, já eu sei desde que lá dei a minha primeira passada portal adentro.
Que as crianças são filhos de pais novos ricos, em franca ascensão económica também é sobejamente conhecido. Mas mesmo assim ainda desconheço alguns factos acerca do meu local de trabalho. É sempre bom umas surpresas para fugirmos à rotina.
 
Passei o ano inteiro a ver as “empregadas” irem buscar as crianças. Havia aquelas que surgiam vestidas à paisana mas outras havia que surgiam vestidas a rigor. Uniforme imaculado e sem rugas, branco e azul, bandolete de rendinha na cabeça.
Julgava que já não existiam coisas destas. Que estas cenas pertencessem ao século passado, que fossem e há quatro ou cinco décadas atrás. Mas parece que há coisas do Antigo Regime que ainda subsistem, que perpassam os tempos.
 
Mas o que eu não sabia é que também tinha uma criança – não sei se há mais – oriunda do mundo VIP, do Jet Set. É uma estupidez e completamente normal, mas foi uma coisa inesperada.
Tempos houve em que o meu dia a dia era passado em contacto com actores e actrizes e modelos muito conceituados na época, tendo-se, alguns deles, tornado figuras de referência no mundo da moda. Por conseguinte, habituei-me a “vê-los” como pessoas ditas “normais”, iguais a qualquer outra pessoa existente ao cimo da terra. E é assim que os continuo a ver sempre que me cruzo com algum.
 
Quanto a esta celebridade, obviamente que não vou referir nomes. Não é relevante. Este foi apenas o mote para que eu pudesse fazer um flashback interior aos tempos em que eu lidava com este “mundo aparte”. Às vezes é bom recordar tempos idos.
Mas como não vos quero deixar a pensar muito sobre o assunto, deixo apenas aos mais curiosos uma dica: fez parte de um concurso televisivo.
 
A criança é muito querida mas muito mal habituada e mimada. É muito pouco desenvolvida e pouco autónoma para a sua idade e compleição física. Mas é bem comportadinha. É o que interessa quando se está sozinha a tomar conta de 20 catraios…